Um cheiro inebriante ronda a portaria. O meu ambiente de trabalho se tornou um palco para grandes apresentações do acaso. Hoje, por exemplo, não consigo respirar direito porque um cheiro estranho paira no ar. Estranhamente, quando me inclino para trás, o odor se esvai e posso finalmente respirar sem muito esforço novamente. Sob o efeito dos “Vapores de Delfos” — um nome carinhoso que dei ao meu veneno — a respiração se torna difícil, trazendo uma leve tontura que, combinada com os danos pulmonares que carrego, rapidamente se transforma em tortura. Esse é um dos meus cotidianos. Tudo aqui é monótono ao extremo. A calçada de basalto e granito, quadriculada, é pisoteada do mesmo jeito todos os dias. Nada muda, nunca mudará — tanto que faltam quadrados e ninguém dá falta. Fico surpreso com isso. O chão, pisoteado todos os dias do mesmo jeito, quando observado, nos expele da concha, permitindo o encontro com o alicerce que, em silêncio, espelha a nossa vontade — e, mesmo assim,...