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Mostrando postagens de abril, 2026

Frutas, Crianças e Ratos.

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A Infeliz Necessidade do Absurdo    Passeando pela internet mais uma vez, acabo encontrando varias reportagens sobre o uso deliberado de inteligência artificial por jovens de 12 a 15 anos. O problema, em suma, é o mesmo: exposição infantil à internet, e dessa vez a conta esta no colo das  Novelas das Frutas ,   que tem   como personagens corpos humanoides com frutas no lugar da cabeça e nomes como 'Moranguete': geralmente a menina que trai ou que é usada de alguma forma, 'Abacatudo': o amante e algumas vezes o traído (karma?) e 'Bananildo', o beta. Eu mesmo já assisti a um desses slideshows animados, aqui protagonizado por um tomate favelado, que de tanto colher fracassos na busca por emprego, acaba ingressando na marginalidade. Uma historia com direito a plot twists e infinitas continuações mas que não me deu vontade de passar do primeiro vídeo, onde no final a fruta tem seu pai (que tenta mata-lo na cena anterior) morto e parte, sem esboçar o mínimo senti...

Cotidiano (tentativa de crônica)

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  Um cheiro inebriante ronda a portaria.  O meu ambiente de trabalho se tornou um palco para grandes apresentações do acaso. Hoje, por exemplo, não consigo respirar direito porque um cheiro estranho paira no ar. Estranhamente, quando me inclino para trás, o odor se esvai e posso finalmente respirar sem muito esforço novamente. Sob o efeito dos “Vapores de Delfos” — um nome carinhoso que dei ao meu veneno — a respiração se torna difícil, trazendo uma leve tontura que, combinada com os danos pulmonares que carrego, rapidamente se transforma em tortura. Esse é um dos meus cotidianos. Tudo aqui é monótono ao extremo. A calçada de basalto e granito, quadriculada, é pisoteada do mesmo jeito todos os dias. Nada muda, nunca mudará — tanto que faltam quadrados e ninguém dá falta. Fico surpreso com isso. O chão, pisoteado todos os dias do mesmo jeito, quando observado, nos expele da concha, permitindo o encontro com o alicerce que, em silêncio, espelha a nossa vontade — e, mesmo assim,...